O Triângulo das Bermudas: como uma lenda foi construída — e como a estatística a desmontou
Às duas e dez da tarde de 5 de dezembro de 1945, cinco torpedeiros Avenger decolaram da base aeronaval de Fort Lauderdale para um exercício rotineiro de navegação, com bombardeio de treino nos baixios de Hens and Chickens. Catorze homens estavam a bordo. Um detalhe raramente sobrevive à lenda: o líder do voo, tenente Charles C. Taylor, piloto de combate calejado com cerca de 2.500 horas de voo, chegara atrasado ao briefing e tentou se livrar da missão. "Eu simplesmente não quero levar este", disse ao oficial de serviço, e não soube dar uma razão. Seus quatro alunos tinham cerca de 300 horas de voo cada um, apenas 60 delas no Avenger. No fim da tarde, os operadores de rádio ao longo da costa da Flórida ouviam algo dar errado. Taylor informou que suas duas bússolas haviam falhado e que acreditava estar sobre as ilhas Keys da Flórida. Quase certamente estava sobre as Bahamas. Convencido de que a formação devia rumar a nordeste para alcançar a Flórida, e depois duvidando de si mesmo, levou seus alunos de um lado para outro sobre um oceano que escurecia, até que as transmissões se apagaram e o combustível acabou.
O resgate aprofundou o desastre. Naquela noite, um hidroavião Mariner com treze homens a bordo decolou para as buscas, da base aeronaval de Banana River, e sumiu cerca de vinte minutos depois. Desta vez houve testemunha: a tripulação do petroleiro SS Gaines Mills relatou uma explosão no céu e navegou por uma mancha de óleo que se espalhava no ponto. Os Mariner vazavam vapores de combustível com tal fama que os aviadores os chamavam de tanques de gasolina voadores, e uma única faísca em um desses tanques deixaria exatamente o que o petroleiro viu. A junta de inquérito da Marinha, reunida em Miami em 10 de dezembro de 1945 por ordem do secretário da Marinha James Forrestal, produziu um relatório de cerca de quinhentas páginas e culpou a confusão de Taylor, até que sua mãe, apontando que a Marinha não apresentara nem corpos nem destroços, contratou um advogado e pediu correção. Em 1947, o veredicto foi emendado para as duas palavras que mantêm o caso vivo: causa desconhecida.
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