Resolvido

O menino da caixa: sessenta e cinco anos sem nome

2026-06-18 · Pessoas sem nome · 7 min de leitura

Na tarde de 25 de fevereiro de 1957, um jovem chamado John Stachowiak abria caminho pelo matagal junto à Susquehanna Road, no bairro de Fox Chase, no nordeste da Filadélfia, e parou diante de uma caixa de papelão surrada largada entre os espinheiros. Dentro, enrolado sem cuidado num cobertor xadrez barato, estava o corpo de um menino pequeno. Stachowiak, um estudante, nem sequer foi o primeiro a encontrá-lo. Um homem que verificava suas armadilhas para ratos-almiscarados notara a caixa dias antes e se afastara sem dizer palavra; e o próprio Stachowiak esperou um dia inteiro antes de reunir coragem para procurar a polícia, segundo se disse por medo do que os policiais pudessem lhe perguntar. A própria caixa era dolorosamente comum. Continha, um dia, um moisés vendido pela loja J.C. Penney da vizinha Upper Darby, do tipo que uma família jovem compra para o quarto do bebê. O que restou dentro dela assombraria a cidade por sessenta e cinco anos.

A criança tinha entre quatro e seis anos: olhos azuis, despida, gravemente desnutrida e marcada por hematomas dos pés à cabeça. O médico-legista concluiu que morrera de um traumatismo craniano contuso. E, no entanto, alguém cuidara de seu corpo perto do momento da morte. O cabelo fora cortado pouco antes, de modo grosseiro, tão pouco antes que mechas soltas ainda grudavam na pele. As unhas das mãos e dos pés estavam limpas e cuidadosamente aparadas. A mão direita e as solas dos pés estavam enrugadas e encharcadas, como se ele tivesse sido banhado ou submerso pouco antes de ser encontrado. Havia pequenas cicatrizes cirúrgicas no tornozelo, na virilha e no queixo. Em algum momento daquela vida curta, alguém levara este menino a médicos.

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