As crianças verdes de Woolpit: o mistério que a Inglaterra medieval registrou duas vezes
Era época de colheita em Suffolk, em algum momento perto da metade do século XII. Os homens que ceifavam cevada na orla da aldeia de Woolpit, a uns onze quilômetros a leste da grande cidade abacial de Bury St Edmunds, depararam com duas crianças encolhidas junto à boca de uma das velhas covas de lobos, as valas cavadas para capturar os lobos que haviam dado ao povoado o seu nome rude. Um menino e uma menina, pequenos e assustados, agarrados um ao outro. Suas roupas tinham um corte que ninguém reconhecia, cosidas de um material que nenhum ceifeiro ali sabia nomear. Choravam e falavam, mas os sons que produziam não correspondiam a nenhuma língua que alguém naquele campo tivesse ouvido. E a pele deles era verde.
Assim começa um dos mistérios documentados mais antigos da história inglesa e, coisa incomum em um prodígio medieval, ele não repousa em uma única voz. Dois homens da igreja o escreveram, com décadas de diferença, em ordens distintas e em extremos opostos do país.
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