O Rei da Seda Tailandesa que entrou na selva e nunca mais voltou
Na tarde do Domingo de Páscoa, 26 de março de 1967, James Harrison Wilson Thompson pousou o café num bangalô nas Cameron Highlands, na Malásia, e saiu para caminhar. Tinha sessenta e um anos, era magro e inquieto, e era o americano mais famoso do Sudeste Asiático. Deixou os cigarros sobre a mesa, e Thompson fumava sem parar. Deixou também os comprimidos que carregava para as crises de cálculos biliares capazes de dobrá-lo de dor sem aviso. Ninguém voltou a vê-lo.
Thompson nasceu em Delaware em 1906 e formou-se arquiteto. Na Segunda Guerra Mundial serviu no Escritório de Serviços Estratégicos (OSS), o precursor de guerra da CIA, recrutado pelo seu fundador, o general William Donovan. Conduziu missões no norte da África e na Europa e, ao fim do conflito, foi destacado para o Ceilão e vinculado à clandestinidade do Tailândia Livre, a rede que resistia à ocupação japonesa do país. Por meio dela conheceu Pridi Banomyong, o regente liberal e depois primeiro-ministro que havia liderado em segredo aquela resistência. Foi uma amizade que pesaria sobre muito do que depois se escreveu a seu respeito.
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