Documentado

O homem que inventou o cinema — e sumiu de um trem em movimento

2026-07-06 · Desaparecidos sem rasto · 8 min de leitura

Na noite de 16 de setembro de 1890, na plataforma da estação de Dijon, um francês alto e barbudo apertou a mão do irmão, subiu ao estribo do expresso de Paris e nunca mais foi visto. Louis Le Prince tinha quarenta e nove anos e viajava para a demonstração pública que, acreditava ele, garantiria o seu lugar na história. Quando o trem chegou a Paris, ele não estava a bordo. O seu corpo não estava no comboio. A bagagem que levava consigo não estava no comboio. Nenhum passageiro pôde depois afirmar com segurança que o tinha visto ocupar um lugar. O homem que havia filmado as primeiras imagens em movimento da história subiu num trem diante de uma testemunha e, ao longo da linha entre uma cidade e a outra, não deixou rastro algum.

Le Prince nasceu em Metz em 1841, filho de um oficial do exército. Um dos amigos do seu pai era Louis Daguerre, o pioneiro da fotografia, e segundo o relato da família foi Daguerre quem deu ao menino as primeiras lições sobre a química de fixar uma imagem com a luz. Estudou pintura em Paris e química em Leipzig, uma combinação que lhe seria muito útil. Na década de 1860 mudou-se para a Inglaterra e em 1869 casou-se com Sarah Elizabeth Whitley, cuja família mantinha uma fundição de latão em Leeds. Entrou na empresa familiar e construiu um nome com trabalho delicado próprio: retratos obtidos fundindo imagens fotográficas sobre metal e cerâmica.

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