UM CASO REAL
Documentado

Rumo ao sol poente: a expedição que entrou na Austrália e nunca saiu

2026-08-04 · · Desaparecidos sem rasto · 8 min de leitura

Em 3 de abril de 1848, numa fazenda distante chamada Cogoon, na borda oeste de Darling Downs, no que hoje é Queensland, sete homens reuniram seus animais e partiram para oeste. Com eles seguiram sete cavalos, vinte mulas e cinquenta bois. Levavam carne seca e farinha para muitos meses e esperavam que a viagem durasse dois ou três anos. Seu chefe já havia atravessado um continente e era célebre em todas as colônias australianas. A partir daquela manhã nenhum europeu voltou a vê-los, e nos cento e setenta e oito anos decorridos não se recuperou um único vestígio confirmado de qualquer daqueles homens, de seus animais ou de seu equipamento.

O chefe era Ludwig Leichhardt, nascido em 1813 na aldeia prussiana de Trebatsch. Estudou filosofia, línguas e ciências naturais em Berlim e Gotinga sem concluir nenhum curso, e depois passou anos na Inglaterra, na França e na Itália transformando-se em naturalista de campo por meio de museus, coleções particulares e longas caminhadas. Chegou a Sydney em fevereiro de 1842 com cartas de recomendação, quase sem dinheiro e com o plano de fazer nome estudando a flora do interior de um continente cujo centro ainda era um vazio nos próprios mapas. Coletou no vale do Hunter e ao longo da costa de Queensland, viveu da hospitalidade dos criadores de gado e, em 1844, convenceu um grupo de comerciantes e proprietários de Sydney a financiar uma travessia terrestre que o governo colonial se recusara a pagar.

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