'Oumuamua: o primeiro visitante de outra estrela continua desafiando qualquer explicação
Na noite de 19 de outubro de 2017, um telescopio robotico no cume do Haleakala, o vulcao adormecido que domina a ilha havaiana de Maui, registrou mais uma mancha tenue entre os milhares que anota em cada noite limpa. Nada nela parecia notavel. Mas quando o astronomo Robert Weryk sentou-se para examinar as imagens do Pan-STARRS1, o ponto recusou-se a fazer sentido. Movia-se rapido demais, e por uma trajetoria que nao podia fechar-se em orbita alguma em torno do Sol. Weryk conferiu, conferiu de novo e entao ligou para um colega. O objeto nao vinha de forma alguma do nosso sistema solar. Cairá da escuridao entre as estrelas, contornara o Sol semanas antes a escaldantes 87 quilometros por segundo e ja subia de saida, para nunca mais voltar.
Os astronomos haviam esperado esse instante a vida inteira. Por decadas a existencia de errantes interestelares foi uma quase certeza teorica, pois todo sistema planetario jovem deveria arremessar destrocos para a galaxia, e no entanto nenhum jamais fora flagrado em flagrante. E mesmo agora quase escapou: o objeto ja contornara o Sol por volta de 9 de setembro e disparava para longe da Terra quando Weryk o encontrou, de modo que aos observadores restavam apenas poucos dias para reunir o que pudessem antes que ele se apagasse para alem de todo alcance. E agora ali estava o primeiro. Foi catalogado como 1I/2017 U1, o numero um e a letra I marcando o primeirissimo objeto interestelar nos registros, e recebeu um nome havaiano que os descobridores traduziram como batedor ou mensageiro que estende a mao desde o passado remoto: 'Oumuamua. O assombro durou cerca de uma semana. Depois o objeto comecou a comportar-se de modos que, oito anos depois, ainda nao tem resposta limpa.
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