A Zona do Silêncio: como um míssil americano perdido construiu a lenda mais estranha do México
Onde se encontram os estados de Durango, Chihuahua e Coahuila, o Deserto de Chihuahua achata-se numa bacia fechada chamada Bolsón de Mapimí. Nenhum rio sai dela. A chuva que aqui cai fica aqui até evaporar. O solo foi outrora o fundo de um braço do antigo mar de Tétis, e guarda ainda fósseis marinhos e depósitos de sal que se exploram até hoje. A localidade de alguma dimensão mais próxima é Ceballos, em Durango, a cerca de quarenta quilómetros através do matagal de creosoto. Na maioria dos mapas a área não tem nome nenhum. No imaginário popular tem um muito preciso: la Zona del Silencio, a Zona do Silêncio.
O nome não é antigo. Parece datar de 1966, quando um engenheiro chamado Harry de la Peña, a trabalhar num levantamento para a petrolífera estatal Pemex, relatou que as comunicações por rádio se extinguiam sobre um troço da bacia. Chamou-lhe zona do silêncio, a expressão chegou à imprensa e fixou-se. Circulam também alegações mais antigas, normalmente sobre pilotos dos anos trinta que teriam perdido contacto ao atravessar a região. Essas histórias não têm documentação da época por trás e pertencem ao folclore, não ao registo.
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