Mistérios nas notícias
Ciência sem resposta
Um grupo liderado por Thomas Siegert percorreu mais de vinte anos de dados do espectrómetro SPI, a bordo do satélite INTEGRAL, e chegou a um resultado incómodo. A linha gama de 511 keV, impressão digital inequívoca de positrões que se aniquilam com electrões, aparece em manchas bem afastadas do plano da Via Láctea. Algumas ficam na direção da Corrente de Magalhães, uma na direção da estrutura de gás chamada Complex C e outras na direção de concentrações de galáxias vizinhas.
Positrões são antimatéria. Os astrónomos sabem há muito que a galáxia os produz, mas o fornecimento esperado não corresponde ao que estas manchas exigem. Refeitos os cálculos com as novas medições, a produção de positrões da Via Láctea sai duas a três vezes maior do que nas estimativas anteriores. O estudo foi publicado na Astronomy and Astrophysics em julho de 2026.
Os autores são cautelosos. Admitem que algumas estruturas podem ser artefactos de imagem, mas consideram estranho que todas as manchas fossem apenas ruído. Uma resposta mais firme talvez tenha de esperar pela missão COSI da NASA, com lançamento previsto para 2027.
Um clarão catalogado como TDE 2025abcr deu aos astrónomos um dos casos mais estranhos já registados em torno de um buraco negro. O sinal surgiu quando uma estrela foi rasgada pela gravidade de um buraco negro massivo, processo chamado evento de disrupção de maré. O invulgar é o local: cerca de 30 mil anos-luz do centro da galáxia WISEA J014656.04-152214.7.
Espera-se que buracos negros massivos fiquem nos centros galácticos, presos pela massa em volta. Um tão afastado é um errante. O clarão foi primeiro assinalado por um classificador de inteligência artificial chamado tdescore e depois confirmado com o telescópio SOAR de 4,1 metros no Chile, por uma equipa da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Os resultados saíram na The Astrophysical Journal Letters a 27 de julho de 2026 e a equipa descreve o caso como o maior desvio já medido num evento deste tipo detetado em luz visível.
Como o buraco negro foi ali parar continua sem resposta. Pode ser o núcleo sobrevivente de uma galáxia fundida há muito tempo ou ter sido lançado para fora por encontros gravitacionais com outros buracos negros.
Os astrónomos que acompanhavam o objeto próximo da Terra 1998 SH2 depararam-se com um desvio que a gravidade sozinha não explica. Durante uma aproximação em agosto de 2025, o corpo apareceu a cerca de 19 desvios padrão do ponto previsto pelos cálculos orbitais. Uma discrepância desse tamanho costuma indicar erro nos dados, e não um comportamento estranho do objeto.
Imagens mais profundas contaram outra história. Telescópios no Brasil, no Chile e no Havai detetaram uma coma ténue e uma cauda estreita com mais de 20 segundos de arco: gás e poeira escapam da superfície e empurram o corpo para fora da rota. O trabalho, publicado na Nature Astronomy em julho de 2026, dá uma das confirmações mais claras de um cometa escuro, um objeto com aparência de rocha e comportamento de cometa.
Fica em aberto quantos corpos disfarçados deste tipo percorrem o sistema solar interior. Se a libertação de gases consegue desviar uma órbita a esse ponto sem ser notada, as previsões de impacto a longo prazo podem ter de ser revistas.
Desaparecidos e casos abertos
Astrid Bridges, de 45 anos, foi encontrada morta em casa, em Gresham, Oregon, a 2 de julho de 1993. Apresentava ferimentos, mas o médico legista registou a morte como acidente e o processo foi encerrado.
Trinta e três anos depois essa conclusão foi invertida. Após reexaminar os ferimentos e as provas guardadas, o gabinete do médico legista reclassificou a morte como homicídio. A polícia de Gresham reabriu a investigação com apoio do Ministério Público do condado de Multnomah, e os inspetores já interrogaram o marido, John Bridges, no Missouri.
O caso arrastou também investigadores de outro estado. Inspetores do Kentucky voltaram a analisar a morte, em 1972, de Joyce Bridges, conhecida por Mable, primeira mulher de John Bridges. Essa morte foi igualmente registada primeiro como acidental e mais tarde reclassificada como homicídio. Não há acusações anunciadas em nenhum dos casos nem suspeito publicamente identificado. As autoridades não explicaram em detalhe o que mudou na leitura dos ferimentos de 1993 depois de três décadas.
Elizabeth Waddell, de 44 anos, conhecida por Liz, tinha viajado de Cary, na Carolina do Norte, para a ilha de Granada. Foi vista pela última vez a 22 de julho de 2026, quando saiu para nadar na praia de Grand Anse, uma das mais movimentadas da ilha. Não voltou.
As autoridades granadinas percorreram a água e a linha de costa. O comissário de polícia em funções, Randy Connaught, disse aos jornalistas que o caso continua a ser tratado como investigação de pessoa desaparecida, formulação que deixa em aberto tanto um acidente no mar como outras possibilidades. Não há detenções anunciadas nem causa estabelecida.
Grand Anse é uma praia muito frequentada, e isso faz parte do que torna o desaparecimento difícil de explicar. As autoridades não comunicaram publicamente a recuperação de um corpo, de roupa ou de objetos pessoais, nem disseram se alguma testemunha a viu entrar ou sair da água. Casos deste tipo costumam ser resolvidos pelo próprio mar em poucos dias. Este não foi, e mantém-se formalmente aberto.
Durante quase 26 anos o processo tinha apenas um nome provisório: Chelsea Jane Doe. Os restos de uma jovem foram encontrados no ano 2000 num estacionamento em Chelsea, Massachusetts, do outro lado do rio em relação a Boston. Ninguém sabia quem era.
Isso mudou com a genealogia genética investigativa, um método que junta análise de ADN a um trabalho lento de árvores genealógicas. O laboratório forense privado Othram construiu um perfil de ADN utilizável a partir dos restos. O FBI avançou depois pelos ramos familiares até a pista chegar a um irmão, e a correspondência confirmou-se. A polícia local, o FBI e o Ministério Público anunciaram a 3 de junho de 2026 que a vítima era Tiffany Bradley, com 16 anos quando morreu. O chefe da polícia de Chelsea disse que nada podia desfazer o que a família passou, mas que finalmente podiam ter um encerramento.
A técnica foi criada para procurar suspeitos. Agora é usada no sentido inverso, para as centenas de corpos não identificados ainda guardados pelos médicos legistas nos Estados Unidos, muitos deles há décadas.
Arqueologia enigmática
No complexo funerário de Baydala, perto de Pavlodar, no nordeste do Cazaquistão, os escavadores retiraram um carro de madeira que suporta um abrigo em forma de tenda, muito parecido com uma yurta tradicional. A datação aponta para o período kimak-kipchak, do final do século IX ao início do século X, quando o Canato Kimak dominava as terras do rio Irtysh.
Habitações móveis deste tipo eram conhecidas por descrições escritas e por ilustrações antigas. Um exemplar preservado, não. As autoridades da região de Pavlodar afirmam que a estrutura não tem paralelo arqueológico conhecido no Cazaquistão nem em qualquer outro ponto da estepe. Com ela foram sepultados uma sela, estribos, freios de cavalo, armas, joias e tecidos de seda, um conjunto que aponta para alguém de alta posição. As escavações são dirigidas há mais de duas décadas pelo arqueólogo cazaque Timur Smagulov.
Por que motivo uma casa rolante foi colocada num túmulo é matéria aberta. O seu papel ritual exige mais estudo, e a ideia de que Baydala corresponde a Imakia, a capital kimak citada em fontes medievais, continua a ser uma hipótese de trabalho.
Quando, em 2024, seis esqueletos apareceram sob as ruínas da residência de Hermann Goring no Covil do Lobo, o quartel-general de guerra de Hitler no que hoje é o nordeste da Polónia, as mãos e os pés em falta e os vestígios de queimaduras alimentaram teorias sombrias. Uma escavação de três semanas acrescentou agora mais cinco esqueletos e duas concentrações de ossos humanos, uma delas diretamente sob as fundações do edifício.
A conclusão da equipa da Academia Polaca de Ciências, que trabalhou com a Fundação Latebra, de Gdansk, é mais banal e, de certa forma, mais perturbadora. A casa foi erguida sobre um cemitério anterior. Antes da construção o terreno foi rebaixado cerca de um metro e meio, o que explica a pouca profundidade das sepulturas. Fundações e valas de infraestruturas cortaram covas existentes e os restos deslocados foram descartados nas proximidades. O arqueólogo Jakub M. Niebylski resumiu sem rodeios: a casa foi construída sobre um cemitério.
A idade do cemitério continua desconhecida. Estão previstas datações por radiocarbono e por anéis de crescimento. Não se recuperaram oferendas, pelo que os sepultados permanecem sem identificação.
Dentro da Subestrutura II C de Calakmul, no estado mexicano de Campeche, um mural a carvão muito degradado voltou a ser legível. Imagem digital, fotogrametria e reconstrução gráfica revelaram o herói mitológico Juun Ajaw a caçar uma criatura na água e, ao lado da cena, um sinal calendárico do calendário ritual maia de 260 dias.
A pintura é datada de cerca de 400 a 200 antes de Cristo, o que a torna a escrita mais antiga conhecida em Calakmul por larga margem. As inscrições preservadas do sítio tinham sido atribuídas quase inteiramente ao período Clássico, entre cerca de 250 e 900 depois de Cristo. O achado coloca Calakmul ao lado de San Bartolo, El Mirador e Tikal, no pequeno grupo de centros do Pré-Clássico Tardio com escrita antiga. O trabalho foi feito no Projeto Arqueológico Calakmul, dirigido por Ramón Carrasco Vargas, com a reconstrução liderada por Daniel Salazar Lama.
Várias questões ficam abertas: para que servia a Subestrutura II C, a data exata, que ainda exige amostragem científica, e se o sinal marca um mito ou um rito verdadeiro.
Arquivos desclassificados
Dois programas reais da Força Aérea dos Estados Unidos na Guerra Fria voltaram a ser examinados. O Projeto Moondust tinha por missão localizar, recolher e transportar veículos espaciais estrangeiros caídos. A Operação Bluefly encarregava-se da passagem rápida dos objetos recolhidos que fossem considerados de valor para as informações técnicas. Os historiadores situam ambos, em geral, na recolha de destroços de satélites soviéticos e de material aeroespacial estrangeiro.
Documentação desclassificada divulgada há pouco é lida de outra forma por alguns investigadores. Um documento da Força Aérea de 1961 coloca Moondust, Bluefly e um esforço de investigação de óvnis sob uma mesma estrutura de informações. Um relatório de 1965 vindo do Congo descreve fragmentos metálicos cuja origem foi registada como presumivelmente de um objeto voador não identificado. Outros ficheiros mencionam recolhas no Nepal coordenadas com governos estrangeiros.
O que os documentos estabelecem é uma sobreposição organizativa e a recolha de objetos que ninguém conseguiu identificar de imediato. O que não estabelecem é de onde veio esse material. Nenhum ficheiro divulgado mostra tecnologia não humana, e a tese de um canal oculto de recolha dessas naves continua a ser uma interpretação e não um facto documentado.
O gabinete do Pentágono encarregado de resolver anomalias em todos os domínios publicou em julho de 2026 o seu relatório do ano fiscal de 2025 sobre fenómenos anómalos não identificados, meses depois do prazo fixado pelo Congresso para o relatório anual. As estatísticas param em maio de 2025.
O gabinete registou 319 novos relatos: 284 dentro do período e 35 incidentes antigos que nunca tinham sido apresentados. Encerrou 114 dos novos casos e mais 256 de anos anteriores, e afirma que todos os casos resolvidos tinham uma causa comum. Cerca de 205 dos novos relatos continuam sem resolução, e nove foram assinalados como merecedores de mais trabalho por parte de parceiros de informações. O volume total caiu bastante face aos 757 relatos do ano anterior. Parte disso explica-se por um melhor tratamento do brilho de satélites: 44 avistamentos no domínio espacial foram atribuídos a luz solar refletida por satélites, com modelação tridimensional.
Em separado, o relatório conta 50 notificações de drones perto de infraestruturas nucleares americanas, contra 18, nenhuma classificada como UAP. Repete também que nenhum aparelho recuperado ou material exótico foi encontrado.
A 10 de julho de 2026 o Departamento de Guerra dos Estados Unidos colocou em linha o quarto conjunto de documentos desclassificados sobre fenómenos anómalos não identificados, em war.gov/UFO. As divulgações decorrem no âmbito de um programa chamado PURSUE, um sistema presidencial de abertura e comunicação de encontros com UAP, e seguem lotes anteriores de 8 de maio, 22 de maio e 12 de junho.
Este lote tem 40 itens: 14 documentos, 19 vídeos, quatro ficheiros de áudio e três imagens. O material vai de papéis de informações do início da Guerra Fria a registos ligados a instalações nucleares, relatórios Range Fouler da Marinha, processos de supervisão do antigo Projeto Blue Book, imagens de sensores militares atuais reunidas pelo gabinete AARO e material espacial da NASA, incluindo registos da missão do vaivém STS-80, de 1996. Inclui ainda um avistamento de 2019 sobre o leste do país e vários relatos não resolvidos de 2020.
Todos os casos do arquivo têm o mesmo estatuto oficial: não resolvidos. Ou seja, os investigadores analisaram e não conseguiram identificar o que ficou registado. Nada mais do que isso, e o governo não retira qualquer conclusão extraterrestre. Foram prometidos novos lotes.