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A pilha de Bagdá: um vaso que talvez soltasse faíscas, ou apenas guardasse pergaminhos

2025-09-28 · Objetos impossíveis · 5 min de leitura

Bagdá, 1938. No laboratório do Museu do Iraque, um pesquisador alemão chamado Wilhelm König girava nas mãos um pote de barro pequeno e sem graça: treze centímetros de cerâmica clara, desenterrada em Khujut Rabu, uma aldeia perto de Bagdá. Dentro havia um cilindro de cobre e, dentro dele, uma haste de ferro corroída; o conjunto todo já esteve preso por tampões de betume. Depósitos de museu estão cheios de potes estranhos. Este, decidiu König, não era apenas estranho — era impossível. Num artigo publicado naquele mesmo ano, ele propôs que o objeto era uma célula galvânica: uma bateria elétrica funcional, construída cerca de dois mil anos antes de Alessandro Volta empilhar sua famosa pilha em 1800.

Vale a pena parar para medir o quanto essa afirmação é radical. Uma bateria precisa apenas de dois metais diferentes e de um líquido ácido entre eles, e o pote fornece os metais sem discussão. König o datou da era parta, algo entre o século III antes de Cristo e o século III da nossa era; estudiosos posteriores, pelo estilo da cerâmica, inclinaram-se para o período sassânida seguinte. De um jeito ou de outro, se ele estivesse certo, alguém na Mesopotâmia engarrafou a eletricidade mais de um milênio antes de a Europa ter sequer uma palavra para ela.

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