Cataratas de Sangue: a geleira antártica que sangra e o século que levou para ser explicada
Ponha-se ao pé da geleira Taylor, no deserto congelado dos Vales Secos de McMurdo, na Antártida, e por um instante os olhos lhe dirão que algo deu terrivelmente errado. Os Vales Secos estão entre os lugares mais secos, frios e de aparência mais sem vida do planeta, uma paisagem de rocha nua e gelo branco-azulado onde mal choveu nos últimos dois milhões de anos. E de uma fenda na parede desse gelo antigo, um fluxo da cor de sangue seco escorre pela face pálida e se acumula sobre a superfície congelada do lago Bonney. Parece, inconfundivelmente, uma ferida. Parece que a geleira está sangrando. Não há ferida, e não há sangue.
As cataratas foram descobertas em 1911 pelo geólogo australiano Thomas Griffith Taylor, que mapeava o vale que hoje leva seu nome durante a expedição Terra Nova de Robert Falcon Scott, a mesma da qual Scott e quatro companheiros jamais voltariam. Taylor olhou para a mancha vermelha e supôs que a cor vinha de algas vermelhas que cresciam no gelo. Foi um primeiro palpite razoável, do tipo a que recorreria um naturalista cuidadoso de sua época, e estava errado. A ideia das algas perdurou por décadas, em parte porque a verdadeira fonte estava num lugar inalcançável.
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