Luzes de terremoto: o brilho no céu em que a ciência se recusava a acreditar
Na noite de 12 de novembro de 1988, pessoas às margens do rio São Lourenço, perto da cidade de Quebec, viram um globo brilhante de luz rosa-violeta deslizar pelo céu, baixo e silencioso, como se inspecionasse o vale a seus pés. Não piscou nem se desvaneceu como faz um relâmpago. As testemunhas o descreveram movendo-se a um ritmo firme e deliberado rumo ao nor-nordeste, seguindo a linha do rio, por dois ou três minutos inteiros antes de se apagar sozinho. Onze dias depois, em 25 de novembro, um terremoto de magnitude 5,9 atingiu a região de Saguenay, cerca de 150 quilômetros ao norte - o mais forte que o leste do Canadá sentira em décadas. Uma pesquisadora chamada France St-Laurent propôs-se a reunir os relatos e acabou juntando 46 depoimentos detalhados o bastante para análise, publicando a sequência na revista Seismological Research Letters. O que perturba é a cronologia, que se recusa a assentar: o céu se acendeu onze dias antes de o chão se mover.
Relatos como esses são antigos e estranhamente coerentes entre culturas que jamais se falaram. Muito antes de os terremotos terem uma ciência, cronistas da Europa, da Ásia e das Américas descreviam um céu que se comportava mal enquanto o chão tremia: chamas azuladas subindo da terra, orbes luminosos flutuando sobre os vales, lençóis de luz pálida erguidos no horizonte de uma noite sem nuvens. Em 1948, o estudioso suíço Frederick Montandon chegou a compilar e classificar esses fenômenos luminosos geoatmosféricos em categorias, uma tentativa precoce de tratar o folclore como dados. Mas, pela maior parte da história moderna, os sismólogos arquivaram esses testemunhos na mesma prateleira das serpentes marinhas: folclore, pânico ou simples relâmpagos mal lembrados por gente assustada.
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