A chuva de carne do Kentucky: o dia em que carne caiu de um céu limpo
O céu sobre o condado de Bath, no Kentucky, estava sem nuvens na manhã de 3 de março de 1876, e esse único detalhe é a razão por que a história se recusa a morrer há cento e cinquenta anos. Em algum momento entre as onze horas e o meio-dia, na fazenda de Allen Crouch, a duas ou três milhas do pequeno balneário de Olympia Springs, sua esposa estava no quintal fazendo sabão. Estava a talvez quarenta passos da casa quando o ar ao seu redor começou a encher-se de flocos do que parecia, inconfundivelmente, carne vermelha fresca. Desciam com suavidade, sem vento algum que os carregasse, sobre uma faixa de terra de cerca de cem jardas de comprimento por cinquenta de largura. A maioria dos pedaços media umas duas polegadas quadradas; o maior, diziam, chegava perto de quatro. Não havia nuvem no alto, nem ave à vista, nada no ar parado de março que explicasse de onde viera a carne, e a senhora Crouch, segundo todos os relatos, ficou profundamente abalada.
Na manhã seguinte os vizinhos vieram ver com os próprios olhos. Harrison Gill, um homem que os primeiros relatos fazem questão de chamar de «veracidade inquestionável», percorreu o terreno e achou restos de carne ainda grudados às ripas da cerca e espalhados em abundância pela grama. A notícia viajou com rapidez espantosa para um condado rural. O New York Herald, a Scientific American e o The New York Times publicaram a história em questão de semanas, e os jornais lançaram mão de imediato dos nomes que combinavam com o ânimo: a Grande Chuva de Carne do Kentucky, o Aguaceiro de Carne, a Chuva Carnal. O caso ganhou o detalhe que o fixaria para sempre na memória quando dois homens do lugar decidiram resolver a questão do modo mais direto de que um ser humano é capaz. Provaram. Um deles, um caçador de peles chamado Benjamin Franklin Ellington, saiu jurando que era carne de urso, ou então, como disse, seu nome não era Benjamin Franklin Ellington; outros a acharam mais próxima de carneiro ou veado. Aquele ato de provar, mais do que a queda em si, elevou uma manhã estranha numa fazenda do Kentucky à categoria de sensação nacional, metade horror e metade farsa.
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