Documentado

Chuva de peixes: a cidadezinha hondurenha cujas ruas se enchem de peixes depois da tempestade

2026-06-24 · Natureza inexplicável · 8 min de leitura

A tempestade chega como sempre chegam as tempestades do início do verão às terras altas do norte de Honduras. Um muro cinzento rola desde as montanhas, a tarde fica sem luz, e a chuva cai com força suficiente para transformar as ruas sem asfalto de Yoro em lama corrente. Depois, tão de repente como começou, para. Pinga água dos beirais. O ar cheira a terra molhada. E as pessoas desta pequena vila agrícola abrem as portas e saem para ver o que a tempestade deixou.

O chão mexe-se. Espalhados pela lama e pelas poças, a debater-se nas sarjetas e nas valetas da estrada, por vezes às centenas, jazem pequenos peixes prateados, vivos e a arquejar, longe do rio mais próximo. As crianças correm a buscar baldes. Os vizinhos saem com cestos e panelas. Numa hora os peixes passam da rua para as cozinhas, onde são limpos e fritos como qualquer outra pescaria. As pessoas chamam-lhe a lluvia de peces, a chuva de peixes, e dizem-no sem ironia e sem grande surpresa, porque em Yoro isso acontece desde que qualquer pessoa viva se lembra.

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