Resolvido

O Bloop: o mistério mais barulhento do oceano e o gelo que o resolveu

2025-05-23 · Sinais e sons · 2 min de leitura

Em 1997, pesquisadores do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico (PMEL) da NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, escutavam o oceano por meio de uma rede de microfones submarinos quando algo extraordinário cruzou suas telas. Era um som de frequência ultrabaixa cujo tom subia ao longo de cerca de um minuto, e era espantosamente potente: hidrofones separados por mais de 5.000 quilômetros o captaram. Sua origem foi rastreada até um trecho remoto do Pacífico Sul, aproximadamente a 50 graus sul e 100 graus oeste, longe de qualquer rota de navegação. Reproduzida a dezesseis vezes a velocidade natural, a gravação produzia um estranho borbulhar líquido, e o sinal ganhou o nome que o tornou famoso: o Bloop.

O próprio sistema de escuta era uma herança da Guerra Fria. A Marinha americana havia construído a rede de hidrofones SOSUS para rastrear submarinos soviéticos; depois da Guerra Fria, a NOAA obteve acesso e acrescentou hidrofones autônomos próprios para monitorar terremotos submarinos, roncos vulcânicos e cantos de baleias. Os cientistas que estudaram o Bloop conheciam cada categoria de som oceânico, e aquele escapava de todas. Christopher Fox, o pesquisador da NOAA que supervisionava a rede, observou que o caráter variável do sinal lembrava o de uma criatura viva, com um problema enorme: era muito mais potente que qualquer chamado de qualquer animal conhecido, inclusive a baleia-azul, o animal mais barulhento da Terra.

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