O Zumbido: o som que só 2% das pessoas conseguem ouvir
Geralmente começa à noite. Um zumbido grave e pulsante, como um motor a diesel em marcha lenta em algum lugar fora de vista. A pessoa percorre a casa, desliga aparelhos, olha a rua — nada. Protetores de ouvido não bloqueiam. Mudar de cômodo não ajuda. E quando pergunta à família ou aos vizinhos, recebe a mesma resposta perturbadora: eu não ouço nada.
Este é o Zumbido (The Hum), um fenômeno documentado em vários continentes há meio século. O primeiro surto famoso veio de Bristol, na Inglaterra, nos anos 1970, quando centenas de moradores se queixaram de um zumbido grave e enlouquecedor; investigações locais apontaram para o trânsito e a indústria, mas nunca encerraram a questão. No início dos anos 1990, a pequena cidade de Taos, no Novo México, deu ao fenômeno seu nome popular. Depois que os moradores recorreram ao Congresso, uma equipe de cientistas dos laboratórios nacionais de Sandia e Los Alamos e da Universidade do Novo México vasculhou a região com equipamentos sensíveis sintonizados nas frequências audíveis mais baixas. Não encontraram nenhuma fonte externa — e ainda assim cerca de 2 por cento dos moradores entrevistados insistiram que o som era real, um número que se repete nos estudos sobre o Zumbido em todo o mundo.
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