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O navio que se recusou a morrer: a viagem fantasma de 38 anos do SS Baychimo

2026-05-10 · Navios fantasma · 2 min de leitura

O SS Baychimo não era lenda alguma quando sua história começou — era um navio de trabalho. Construído na Suécia em 1914, o vapor de casco de aço e 1.322 toneladas pertencia à Companhia da Baía de Hudson e passou os anos 1920 numa das rotas comerciais mais duras do mundo, levando mantimentos a assentamentos inuítes ao longo da costa ártica do Canadá e voltando carregado de peles.

Em outubro de 1931, no caminho de volta com uma valiosa carga de peles, o Baychimo ficou preso no gelo compacto perto de Barrow, na costa norte do Alasca. A tripulação abrigou-se em terra e, quando o gelo cedeu por um breve período, ancorou o navio e montou acampamento ali perto para esperar o inverno passar, de olho na embarcação. Parte da tripulação foi retirada de avião; um grupo central permaneceu.

Então veio a nevasca. Em 24 de novembro de 1931, uma tempestade violenta apagou o mundo por dias. Quando o tempo abriu, o Baychimo tinha sumido. Os homens presumiram que o gelo o havia esmagado e afundado — até que um caçador inuíte relatou que o navio estava à deriva, intacto, dezenas de quilômetros costa abaixo. A Companhia da Baía de Hudson resgatou do porão as peles mais valiosas, deu o navio castigado como condenado diante do gelo que se aproximava e o abandonou à própria sorte.

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O Baychimo tinha outros planos. Pelos 38 anos seguintes, o vapor vazio continuou aparecendo ao longo da costa do Alasca como um boato recorrente que por acaso era verdade. Foi avistado repetidas vezes ao longo dos anos 1930 e abordado em várias ocasiões: em 1933, o comerciante Leslie Melvin o encontrou à deriva enquanto viajava de trenó puxado por cães; outros visitantes subiram a bordo com o passar dos anos, e pelo menos uma tentativa de resgate foi frustrada pelo clima. A cada vez, o gelo ou o mar o levavam embora antes que alguém pudesse reivindicá-lo.

As décadas passaram, e ele continuava sem afundar. O último avistamento amplamente noticiado foi em 1969, quando um grupo de inupiat viu um casco enferrujado congelado no gelo entre Icy Cape e Point Barrow — 38 anos depois de a tripulação tê-lo deixado. Depois, nada. Em 2006, o estado do Alasca lançou um projeto para resolver de vez o mistério do navio fantasma do Ártico: encontrar o Baychimo flutuando, encalhado ou no fundo do mar. A busca não achou vestígio algum.

A maioria dos especialistas presume que décadas de gelo triturador e ciclos de congelamento e degelo acabaram por afundá-lo. Mas nenhum naufrágio jamais foi confirmado, nenhum destroço identificado. Onde o Baychimo repousa hoje — e como um vapor sem tripulação sobreviveu a quase quarenta invernos árticos que esmagaram navios mais robustos — permanece sem resposta.


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