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As cifras de Beale: três páginas de números, uma fortuna enterrada — ou uma farsa brilhante

2026-06-11 · Cifras não resolvidas · 8 min de leitura

Na primavera de 1845, um estalajadeiro já idoso de Lynchburg, chamado Robert Morriss, finalmente arrombou o cadeado de uma caixa de ferro que estava sob sua guarda havia vinte e três anos. O homem que a deixara, um virginiano chamado Thomas J. Beale, pedira-lhe que a guardasse em segurança, prometera uma carta com a chave pelo correio e partira a cavalo pelas estradas do inverno para nunca mais voltar. A carta nunca chegou. Quando Morriss enfim forçou a caixa, encontrou dentro duas cartas escritas com simplicidade e três folhas cobertas de ponta a ponta com números: 520 algarismos na primeira página, 763 na segunda, 618 na terceira. Segundo as cartas, aqueles números guardavam uma fortuna em ouro e prata enterrada nas colinas do vizinho condado de Bedford. Morriss morreria sem ler uma única linha delas. Quase um século e meio depois, o mesmo vale para quase todos os outros. Exceto, talvez, um homem.

A história chegou ao público em 1885, quando um panfleto fino intitulado The Beale Papers foi posto à venda em Lynchburg, na Virgínia, por cinquenta centavos, distribuído por um agente chamado James B. Ward. Seu autor anônimo afirmava que Morriss lhe confiara os papéis em 1862, pouco antes de morrer, e que ele passara vinte anos debruçado sobre eles, arruinando no caminho os próprios negócios, até que enfim desistiu e levou todo o assunto à impressão para se livrar dele. Reivindicava um único avanço. A segunda folha, escreveu, era uma cifra de livro cuja chave era a Declaração de Independência: numera-se em ordem cada palavra do documento, lê-se cada algarismo da cifra como um ponteiro para uma palavra, toma-se a primeira letra dessa palavra, e a mensagem se monta sozinha. O primeiro algarismo da segunda cifra é 115; a 115ª palavra da Declaração é "instituted"; a letra é I. Palavra a palavra, o texto claro foi aflorando.

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