O Rolo de Cobre: a lista de tesouros do mar Morto que ninguém jamais resgatou
Em 14 de março de 1952, uma equipe arqueológica que vasculhava os penhascos sobre o mar Morto chegou ao fundo de uma caverna parcialmente desmoronada perto de Qumran, em território então jordaniano. Entre jarros quebrados, no fundo da caverna mais tarde catalogada como Caverna 3, jaziam duas lâminas enroladas de metal corroído. Todos os outros Manuscritos do mar Morto foram escritos a tinta sobre pergaminho ou papiro, e quase todos contêm literatura religiosa. Este, designado 3Q15, foi martelado em cobre quase puro — e não continha uma única linha de Escritura.
Durante três anos ninguém conseguiu lê-lo. Dois milênios de oxidação haviam deixado o metal tão quebradiço que qualquer tentativa de desenrolá-lo estilhaçaria o texto. A solução veio de um engenheiro, não de um arqueólogo. Em 1955, as autoridades jordanianas enviaram os rolos a Manchester, na Inglaterra, onde o professor H. Wright Baker os revestiu de adesivo e, a partir de 1º de outubro de 1955, cortou-os em 23 tiras curvas com uma serra de fração de milímetro de espessura. No início de 1956, o texto completo estava exposto — e revelou-se um inventário.
Em hebraico seco e burocrático, o rolo enumera cerca de 64 esconderijos com quantidades espantosas de tesouro: ouro e prata, moedas e vasos, contados em talentos. Lidos ao pé da letra, os totais chegam a dezenas de toneladas de metal precioso — mais, observam alguns estudiosos, do que qualquer fortuna particular plausível da época. Os registros soam como a lista de um escrivão: uma soma enterrada numa cisterna sob degraus, outra sob um pátio, outra num túmulo. E, mais estranho ainda, sete registros terminam com pequenos grupos de letras gregas que ninguém explicou de forma convincente.
A disputa acadêmica começou de imediato e nunca terminou. Józef Milik, o primeiro editor designado para o rolo, concluiu que a lista era folclore — uma lenda de tesouro enterrado, posta por escrito mas jamais real. Outros, entre eles John Allegro, que havia pressionado pela abertura em Manchester, defenderam o contrário: um suporte tão caro e durável quanto o cobre aponta para um registro genuíno, talvez o tesouro do Templo de Jerusalém, escondido antes de os romanos destruírem a cidade no ano 70. O árido estilo contábil, acrescentam os defensores, é um tom estranho para uma fábula.
Se o tesouro foi real, ninguém o encontrou. Allegro liderou em 1960 uma expedição que escavou os locais mais prováveis e não recuperou nada. As instruções do rolo dependem de pontos de referência — reservatórios, portões, túmulos, pátios — que eram óbvios para seu autor e hoje são inidentificáveis; dois mil anos de guerras, reconstruções e erosão apagaram as referências do terreno. E, se os esconderijos existiram, podem simplesmente ter sido esvaziados há muito tempo — por soldados romanos ou pelas próprias pessoas que os enterraram.
Hoje as tiras estão expostas, ainda em seus segmentos cortados, no Museu da Jordânia, em Amã, para onde foram transferidas em 2013. Os visitantes desfilam diante do que pode ser o único mapa do tesouro antigo e autêntico que existe — ou a peça de ficção mais cara já gravada. Em algum ponto entre essas duas leituras, o Rolo de Cobre mantém suas contas fechadas.