Documentado

A Montanha da Morte: por que nove montanhistas rasgaram a tenda por dentro e fugiram noite adentro

2026-07-21 · Mortes inexplicáveis · 6 min de leitura

Partiram rindo. As fotografias reveladas depois de suas câmeras mostram dez jovens de bom humor, fazendo caretas para a lente na neve, carregando um caminhão, brincando no trem rumo ao norte: uma expedição estudantil de esqui como cem outras na União Soviética de 1959. No fim de janeiro, dez estudantes e ex-alunos do Instituto Politécnico dos Urais, em Sverdlovsk, partiram para uma travessia de inverno durríssima de categoria III, a mais alta que o sistema soviético reconhecia, pelos Urais do norte, rumo a um pico chamado Otorten. Um deles, Yuri Yudin, adoeceu cedo com dores nas articulações e voltou atrás pouco depois de o grupo deixar o último povoado. Aquele acaso de saúde salvou-lhe a vida: enterraria os amigos semanas depois e sobreviveria ao mistério até sua morte, em 2013. Foi o último a ver os nove com vida.

Esses nove não eram amadores. Seu líder, Igor Dyatlov, de vinte e três anos, era um talentoso engenheiro de rádio que fabricava o próprio equipamento. Ao redor dele estavam Zinaida Kolmogorova e Liudmila Dubinina, ambas experientes e queridas, além de Yuri Doroshenko, Rustem Slobodin, Gueorgui Krivonishchenko, Alexander Kolevatov e Nikolai Thibeaux-Brignolle, descendente de um engenheiro francês. O mais velho de todos era Semyon Zolotaryov, de trinta e sete anos, veterano de guerra condecorado que se juntara tarde ao grupo, mais velho que os demais por mais de uma década. Na noite de 1º de fevereiro, armaram sua única tenda comprida no alto da encosta exposta do Kholat Syakhl, em vez de descer à linha das árvores, um quilômetro e meio abaixo. O nome da montanha, da língua mansi, costuma ser traduzido como "a Montanha da Morte".

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