Documentado

As bolinhas perfeitas do deserto: quem desenha os círculos de fada?

2026-07-01 · Lugares enigmáticos · 8 min de leitura

Sobrevoe a baixa altitude as pastagens da orla do deserto do Namibe e o solo parecerá cosido à mão. Milhões de círculos pelados e avermelhados salpicam um mar de erva dourada, cada um cercado por uma orla de hastes mais altas, cada um separado dos vizinhos com uma regularidade quase matemática. Do ar, o efeito lembra a pele de algum animal enorme e manchado. No chão é ainda mais estranho. Entre num círculo e a terra está simplesmente, obstinadamente nua, enquanto a erva do outro lado da borda cresce espessa e alta. Não há vedação, nem rocha, nem razão visível para a linha onde a vida para e começa o disco vermelho e pelado.

Os círculos medem entre cerca de dois e quinze metros de diâmetro, e não são passageiros. Os investigadores estimam que um círculo individual pode persistir durante décadas: nasce, amadurece e desvanece-se ao longo de uma vida humana, apenas para que outro se abra noutro ponto do campo. A linha da sua borda é nítida, e mantém-se ano após ano, em seca e em inundação por igual.

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