Geleia de estrela: o limo do céu que a ciência continua sem conseguir nomear
Numa manhã crua de outono de 2009, um caminhante que atravessava os charnecais das Terras Altas da Escócia parou diante de algo que não pertencia ali. Espalhados pela relva molhada estavam grumos de uma geleia pálida e translúcida, fria ao toque e a tremer ligeiramente ao menor roçar, sem forma própria e sem pertencer a planta ou animal que ele soubesse nomear. Tinha havido estrelas cadentes no céu naquela noite. Fez o que as pessoas nessa situação fazem há quase sete séculos. Olhou para cima e presumiu que um fragmento dos céus tinha caído no escuro.
A suposição é antiga o bastante para carregar um nome medieval. O médico inglês João de Gaddesden, que viveu entre cerca de 1280 e 1361 e serviu na corte de Eduardo II, descreveu nos seus escritos uma substância mucilaginosa pousada sobre o solo, a que o latim do seu tempo chamava stella terrae, a estrela da terra, e que recomendava como remédio para abcessos. Os galeses tinham a sua própria palavra, pwdre ser, que se traduz sem rodeios como a podridão das estrelas. Um dicionário inglês-latim de cerca de 1440 regista sterre slyme. O nome mudava de língua para língua, mas a ideia por baixo manteve-se firme: que a geleia e os meteoros eram uma e a mesma coisa, e que aquilo que ardia lá em cima de noite podia ser encontrado frio e informe sobre a relva ao amanhecer.
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