Documentado

306 homens e nenhum pedido de socorro: o desaparecimento do USS Cyclops

2026-07-02 · Navios fantasma · 8 min de leitura

Os últimos homens a ver o USS Cyclops foram os estivadores de Bridgetown, em Barbados. Na manhã de 4 de março de 1918, viram o enorme carvoeiro cinzento recolher as amarras e voltar os seus 542 pés para o Atlântico aberto, tão baixo na água que a linha de carga parecia ter desaparecido sob a ondulação. Seguia para Baltimore, cerca de 1.800 milhas a norte, com 306 homens a bordo e cerca de 10.800 toneladas longas de denso minério de manganês brasileiro nos porões. Era um dos maiores navios da Marinha dos Estados Unidos, um depósito flutuante de carvão construído para alimentar e movimentar uma frota em guerra. Algures entre aquele porto caribenho quente e a fria foz do Chesapeake, deixou de existir. Nunca se recebeu qualquer sinal de socorro. Jamais se recuperou um bote salva-vidas, um corpo ou um único fragmento confirmado de destroços. Mais de um século depois, continua a ser a maior perda de vidas num único acontecimento da história naval dos Estados Unidos não causada por combate.

A viagem começara muito mais a sul. O Cyclops servira ao largo da costa do Brasil e, a 16 de fevereiro de 1918, deixou o Rio de Janeiro carregado de minério de manganês, a matéria-prima do aço para munições, urgentemente reclamado pelas fábricas de um país agora plenamente em guerra. Escalou Salvador e depois rumou a norte, para Baltimore, sem mais paragens previstas no papel. A bordo seguiam a tripulação, vários passageiros e o cônsul-geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, Alfred L. M. Gottschalk, que regressava ao seu país.

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