As cifras do Zodíaco: quatro códigos, duas soluções, nenhum nome
No inverno de 1968, um assassino começou a espreitar casais nas estradas solitárias do norte da Califórnia. Ao longo do ano seguinte, baleou ou esfaqueou sete jovens, matando cinco, e então fez algo que quase nenhum assassino havia feito antes: escreveu aos jornais. Assinando como Zodíaco e marcando suas cartas com um círculo cortado por uma cruz, atribuiu-se até 37 vítimas e envolveu suas provocações em código.
Em 31 de julho de 1969, três jornais da região da baía — o Vallejo Times-Herald, o San Francisco Chronicle e o San Francisco Examiner — receberam, cada um, uma carta com um terço de um criptograma de 408 caracteres, junto com a exigência de publicá-lo na primeira página. Apenas uma semana depois, em 8 de agosto, um professor de Salinas chamado Donald Harden e sua esposa Bettye o resolveram na mesa da cozinha. Bettye deduziu que um egocêntrico começaria com a palavra "eu" e se gabaria de matar — e acertou. A mensagem decifrada começava: "Eu gosto de matar pessoas porque é muito divertido", mas o assassino cumpriu a promessa de não revelar nada útil: nenhum nome apareceu, e os últimos 18 caracteres permanecem até hoje um enchimento inexplicado.
Seu enigma seguinte foi mais cruel. A cifra de 340 caracteres enviada ao Chronicle em 8 de novembro de 1969, conhecida como Z340, derrotou o FBI e gerações de criptógrafos amadores. Não era uma substituição simples: o texto também precisava ser lido ao longo de diagonais deslocadas, um truque de transposição que ninguém confirmou por meio século.
Então, em dezembro de 2020, um trio internacional a quebrou: o desenvolvedor de software americano David Oranchak, o matemático australiano Sam Blake e o decifrador belga Jarl Van Eycke, cujo programa AZDecrypt testou um número imenso de leituras possíveis. O FBI confirmou publicamente a solução em poucos dias. A mensagem zombava da polícia — "aquele no programa de TV não era eu" — e declarava que o assassino não temia a câmara de gás. Mais uma vez, não continha identidade alguma.
Duas cifras ainda resistem. O código de 13 caracteres de abril de 1970 segue, em tom de deboche, as palavras "Meu nome é", e uma cifra de 32 caracteres de junho de 1970 veio com um mapa do monte Diablo e a alegação de que apontava para uma bomba enterrada. Ambas são tão curtas que existem muitas soluções plausíveis e nenhuma pode ser provada — exatamente por isso os criptólogos as consideram praticamente inquebráveis sem novas evidências.
O caso do Zodíaco continua aberto. Um grupo privado anunciou um suspeito em 2021, mas os investigadores rejeitaram a alegação, e nenhuma acusação jamais foi apresentada. O que permanece sem resposta hoje é a única pergunta que sempre importou: quem ele era — e se treze caracteres nunca decifrados realmente soletram seu nome.