Documentado

Stonehenge: as perguntas que cinco mil anos não responderam

2025-07-02 · Lugares enigmáticos · 2 min de leitura

Na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, ergue-se o monumento pré-histórico mais estudado da Terra, e ele ainda guarda os seus segredos. Stonehenge foi erguido em etapas ao longo de cerca de mil anos: começou por volta de 3000 a.C. com um fosso e um talude circulares e ganhou a silhueta familiar por volta de 2500 a.C., quando os grandes blocos de sarsen foram postos de pé e coroados com lintéis. As obras e remodelações continuaram até cerca de 2000 a.C., de modo que o monumento que vemos é a última de muitas versões.

Durante séculos ninguém soube dizer de onde vinham as pedras. Então, em 2020, uma equipe liderada pelo geomorfólogo David Nash associou a impressão geoquímica dos sarsens, blocos de arenito de cerca de 25 toneladas cada, a West Woods, nas colinas de Marlborough, a uns 25 quilômetros ao norte. Cinquenta dos cinquenta e dois sarsens preservados carregam essa assinatura. Movê-los teria exigido centenas de pessoas, trenós de madeira e coordenação notável; ainda assim, pelos padrões de Stonehenge, os sarsens são a parte fácil.

As pedras azuis, menores, são o problema difícil. Geólogos rastrearam sua origem há décadas até as colinas de Preseli, no oeste do País de Gales, a cerca de 250 quilômetros, e escavações identificaram ali prováveis pedreiras. Como as pedras venceram essa distância ainda se discute: a maioria dos arqueólogos defende o transporte humano por terra ou por água, enquanto uma minoria sustenta que geleiras as carregaram a maior parte do caminho numa era glacial. Nenhum trenó, jangada ou caminho dessa viagem jamais foi encontrado.

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E então veio 2024. Pesquisadores que analisaram grãos minerais da Pedra do Altar, a laje de arenito deitada no coração do monumento, relataram na revista Nature que sua idade e sua química não combinam com Gales, mas com a bacia Orcadiana do nordeste da Escócia, a pelo menos 750 quilômetros. É a viagem mais longa conhecida de uma pedra em um monumento neolítico. Para muitos pesquisadores, uma rota marítima ao longo da costa parece mais plausível que um arrasto por terra, mas não há prova direta de nenhuma das duas.

Algumas perguntas, é justo dizer, estão resolvidas. O eixo do monumento alinha-se com o nascer do sol no solstício de verão e o pôr do sol no de inverno; isso é medição, não teoria. Stonehenge foi também um cemitério: foram identificados os restos cremados de pelo menos 58 pessoas, e as estimativas situam o total de sepultamentos entre 150 e 240, depositados ao longo de uns cinco séculos. Dali em diante, manda a interpretação. Estudiosos sérios defenderam um templo solar, um lugar de cura que atraía doentes de longe e um grande projeto que uniu as comunidades agrícolas da Britânia. Cada teoria tem indícios; nenhuma tem prova.

Esse é o balanço honesto cinco mil anos depois. Sabemos quando Stonehenge foi construído, em que ordem e onde, até o detalhe de um bosque específico e de uma bacia sedimentar distante, nasceram suas pedras. Não sabemos como um bloco de 25 toneladas foi erguido sem roldanas, como uma laje escocesa cruzou quase toda a Britânia, nem para quê, na mente de seus construtores, servia o conjunto inteiro. As pedras entregaram sua origem. Seu propósito, ainda o guardam.


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